Monday, December 11, 2006

Palavras

Não sou de muitas palavras
Nunca fui!
Existe em mim uma necessidade de silêncio
Premente
E limito-me a dizer o insondável
O extremamente necessário
O urgente ... o aflitivo
Não que o seja da minha parte
Mas sim dos outros
Que com olhos postos aguardam
Expectantes
Umas quaisquer palavras
Numa ânsia desmedida
De as conhecer
De as beber
E assim pronuncio-as
Finalmente
Mas palavras são apenas isso,
Palavras!
E mal são ditas perdem o significado
Que tinham antes de proferidas
Como se de uma magia qualquer se tratasse
E o poder só existisse enquanto fechado,
Secreto e sacramentado
Depois de ditas
São banais
Vulgares
Iguais
Palavras
São armas de arremesso
Doce afago no coração
São punhais, terrível traição
São desculpas esfarrapadas
Tristes notícias nos dão
Palavras
São tantas vezes enganos
Tanto faz de conta
Tanta falsa emoção
Deixámos há muito de comunicar
Construímos apenas castelos
Mas no lugar das cartas
Fizemo-lo de palavras
Que do mesmo modo tombam
Perante a realidade de uma acção
Palavras deixaram de ser ditas com o coração
Dizemo-las convictos de nada dizer
Sabendo que caminhamos sem direcção
Palavras são escudos de bem parecer
Ocas de significado sem vontade ou lição
E assim as palavras deixaram de ser
O que diferenciava um ser de outro ser
Palavras
São apenas palavras
Desprovidas de valor
Sem significado
Morreram
Solitárias
Na tinta
Apagada e envelhecida
Dos tratados
E condados
Num outro tempo
Noutro lugar
No passado
Adormecidas
Diz-me tudo o que quiseres...
Mas não mo digas por palavras...

The Gift - Facil de Entender

Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei.
Meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós.
Sei lá eu o que queres dizer.
Despedir-me de ti,
"Adeus, um dia, voltarei a ser feliz."

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender...

Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Triste é o virar de costas, o último adeus, sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar p'ra mim.
Escutar quem sou.
E se ao menos tudo fosse igual a ti...

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender...

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender...

É o amor... que chega ao fim.
Um final assim, assim é mais fácil de entender.

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse é mais fácil de entender...

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender...


Uma musica que nao consigo parar de ouvir...

Sunday, September 24, 2006

Opeth Hope Leaves

In the corner beside my window
There hangs a lonely photograph
There is no reason
I'd never notice
A memory that could hold me back

There is a wound that's always bleeding
There is a road I'm always walking
And I know you'll never return to this place

Gone through days without talking
There is a comfort in silence
So used to losing all ambition
Struggling to maintain what's left

Once undone, there is only smoke
Burning in my eyes to blind
To cover up what really happened
Force the darkness unto me

Uma musica que em tempos foi especial

Cada lugar teu

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar


Enquanto durou acreditei que fosse eterno...

Sunday, September 03, 2006

Caindo no Caos

Vejo-me tombar
Por entre brumas de agitação anímica

Sucumbo com utopias
Criadas em nebulosas e entediantes noites de insónia

Alieno-me no vazio dos olhares
Para assim esconder a dor de existir

Para que serve acordar?... Viver?...
Se não tenho quem me proteja daquilo que sou

Sunday, July 09, 2006

Fugir. Correr. Sair daqui. Gritar. Estar sozinha. Quarto vazio. Escuro. Noite. Lua. Ah, como eu gostava de sair daqui. Deitar-me na areia de olhos fechados, sob a lua pouco desperta (porque ainda é cedo), ouvir o Mar. Relaxar. Respirar. Respirar. Suspirar. Cantar. Tudo e nada. Sair daqui. Sair... Sair... Sair... FUGIR DAQUI!
Entre jogos de palavras tento esquecer, perder os sentidos, deixar de ver, ouvir, falar... Como eu prezo a minha solidão. Estar somente num quarto escuro e gritar, gritar, gritar com toda a força, sem que ninguém me reprima ou me ponha uma mão na boca e me cale... para sempre. Quero ouvir as paredes a gritarem comigo, a acompanharem-me neste grito angustiante, que me corta a respiração, que me deixa sem ar, assim, inanimada na minha solidão!!!
Fugir. Correr. Sair daqui. Sair daqui. Sair daqui. Cortar os laços que me unem a este sofrimento. Sentir o sangue a correr nas veias ansiando, tal como eu, fugir... Bebo o meu próprio sangue na esperança de me encontrar... Não me encontro... Não sei o caminho... Perdi-me... Quem me ajuda? Quem me leva de volta à vida feliz e alegre que deixei para chegar a este... centro de tortura... Fugir. Correr. Correr. Fugir. Sair daqui é tudo o que eu quero. A minha alma sussurra-me, espicassa-me, foge-me... Deixei de ser eu, de sentir os pés no chão. Ilusões elevam-me ao infinito. Eu sigo-as, esperando ser feliz...

Onde é que andas e quando é que cumpres o que me prometeste? Tou farta de ilusões, quero o verdadeiro amor...estou perdida, não me encontro...não quero voltar a gelar o meu coração e tudo o que acredito...

Tuesday, June 13, 2006

Amanha Digo-te adeus

O dia amanheceu cinzento. Devolvi-te.
Segurei a tua mão pequenina
e dei-te ao pedaço que te perdeu.
Eras tu e não eras tu.
Tu nunca és tu dentro de ti mesmo.
Nem dentro de mim.
Tu nunca és tu.
-
Empurrei-te para dentro de ti mesmo.
Vomitei-te toda a noite
nos lençóis, na cama,
na ausência.
Quem sou eu dentro da minha solidão?
-
És a minha droga.
E eu... não te posso mais ter dentro das
minhas veias.
Deixei-te nas mãos.
Nas tuas mãos.
Nas tuas mãos quedas junto ao corpo.
Murmurei-te: "estás aqui. o teu pedaço
que te morre todos os dias. que eu renasci
todos os dias. que alimentei da minha
seiva e do meu sangue e dos meus olhos."
-
És tu sem seres tu.
Odeio-te...
E esse ódio rasga-me por dentro
rebenta-me as veias.
-
Quem sou eu dentro de mim?
Sozinha...
-
Abandonei-te... Mas de noite
estendo os braços para te abraçar
e te acariciar os cabelos suaves de criança
junto a mim.
"não me deixes aqui...aqui sozinha.
não me deixes...".
Eu não sei o que é o amor.
-
Abriste os lábios como se fosses dizer alguma coisa.
Mas não disseste.
Tu nunca dizes nada quando te abandono.
E eu deixo-te todos os dias
e volto de manhã a mim mesma.
Aqui está frio. Ainda mais frio do que estava dentro de ti.

Aqui estou sozinha.
Não posso apertar-te a mão quando me dizes
"tenho medo da solidão.
tenho medo de te destruir."
Vou-te contar um segredo,
principezinho.
Eu destrui-me a mim mesma.

Onde estás agora, principezinho,
não sei adivinhar.
Só sei que tenho a garganta apertada de lágrimas.
Porque de alguma forma estúpida
só tu me conheces.

Que merda é o amor? Sabes-me dizer?
Porque eu quis descobrir
e abri uma fenda no coração
por onde saíste tu.
"Não posso ter-te aqui" gemi eu.
E vim embora.

O mundo entrou-me pela garganta.
Mora-me no peito.
O mundo inteiro menos tu
que tive comigo demasiado tempo.

Não digas nada... porque se disseres ainda posso
trair-me e pedir-te que voltes para dentro de mim,
posso alimentar-te de novo do meu sangue.

Não digas adeus.
Nunca tive jeito para despedidas.
Eu não te amo.
Nem sei o que é o amor.
A tua criança é como um filho tenro
que tive dentro do peito e que não sei,
não sei deixar voar...

Amanhã quando amanhecer
vou preencher o teu espaço
com qualquer coisa
que ainda não encontrei.
Sinto-te a falta.
Afinal quem foi a criança dentro de quem?
Tu dentro de mim? Ou
eu dentro de ti?

Amanhã quando amanhecer
digo-te adeus.

Pudesse eu dar-te uma prenda

Pudesse eu dar-te uma prenda,
dar-te-ia meus sorrisos prateados,
meus cabelos tocados pelo luar,
meu corpo nu,
simples,
oferecido por amor,
esse amor
que me tolda os olhos,
me leva os dedos
a procurarem-te no vazio.
Pudesse eu dar-te uma prenda,
simples,
singela,
dar-te-ia meu coração
embalado em veludo,
já ferido,
semi-cicatrizado,
a pedir um beijo doce.
Pudesse eu dar-te uma prenda,
dar-te-ia meu nome,
minha morada,
meu sossego...
Pudesse eu...
e posso.
Dou-me.
Sem reservas.
Apenas eu. Coberta de luar
e prata.

Embora saiba que não me lês

Ao homem que não soube ser o que eu pensei que ele era:

Poderia dizer que te odeio, mas isso são sentimentos e palavras fortes que deixam marcas e cicatrizes para o futuro.Não, não te odeio...sabes bem o que sinto...
mas sinto pena...

Do caminho que perdeste quando os nossos caminhos deixaram de ser apenas um...
Da carapaça que deixaste na berma desse caminho onde eu fiquei e mudei o rumo, e que apesar de tudo,era tão bonita e tão mais simples e perfeita que tu...
dos sonhos que abandonaste em busca de um conforto que não encontrarás nos braços que pensas que são teus
Do menino que cresceu e se tornou homem e é um homem demasiado deplorável por ter sido o menino que me olha do outro lado da fotografia perdida na minha memoria.
Sinto pena...

De tudo o que podias ter sido e não foste e não es e que justificas dizendo : "Sou assim porque já nao estas aqui"

Monday, June 12, 2006

Há dentro de mim uma lembrança,
pedra branca no fundo de um poço,
já não posso, já não quero lutar:
ela é sofrimento, alegre alvoroço.

Acredito: quem olhe bem de perto
nos meus olhos a possa vislumbrar.
E cisme mais triste do que ouvindo
uma história de saudade e pesar.

Diz-se que os deuses mudavam os homens
em coisas, sem matar-lhes a consciência,
para que vivesse a maravilhosa
tristeza. E ficaste-me lembrança.

Tuesday, May 02, 2006

Choro pela dor que me perturba,
Choro porque não aguento este tormento de estar viva..
Este tormento de sentir…

Não consigo ser feliz…
Remo contra a maré…
Sempre que me sinto
Roubam-me a alma..,
Dá-me vontade de vomitar sobre todas as cabeças que me desesperam…

Só quero dormir…
Sem nunca acordar..
Ficar sempre morta neste mundo em que vivo…

Faço lembrar o deus grego que suporta o céu
E ninguém lhe agradece por não sair definitivamente do seu posto…

Se é assim que vivo…prefiro morrer…
Prefiro deixar de sentir…
Quero abandonar este corpo nojento que me prende…
Que me sufoca…
Que me rouba e me deita na lama…

Se sou condenada à infelicidade eterna…
não aguento superar esta prova…
Deito-me com todos os meus problemas e perco o ar...de tanto sofrer…
Não…não é fugir…é morrer…é perder-me na minha felicidade de não existir…
Perder-me na felicidade de não sentir…
De não me atormentar..
De não sofrer pelos outros…
De não sofrer com os outros…

Deixem-me morrer seres do além…
Levem-me convosco…
Façam-me voar…
Façam-me partir deste mundo coberto de podridão.
Deste mundo a que não pertenço…"

Veneno Pessoal

Sinto-te a deslizar ardente pela minha garganta. És a minha cura para os erros do mundo, o meu companheiro de dor. Olhei para ti durante tantos anos, sempre dentro desse frasco, perguntando-me como seria o teu sabor. A droga perfeita, o beijo libertador. Hoje peguei em ti e derramei-te nos meus lábios, porque hoje fartei-me do mundo e das pessoas. Quero viver longe daqui, longe deste falso planeta. Tu és a minha fuga, o meu grito de revolta. O insulto a todos os que cruzaram o meu caminho. Agora sou só eu e tu... depois... serás só tu ardente e sedutor corroendo o meu cadáver. A ti resta-me agradecer o veneno que me ofereceste.

O grito no silêncio

Escrevo para afastar a ausência.
Eventualmente toda a minha escrita nasce e morre em ti. Corre para ti como um rio para o mar.
O sono abandonou-me. O teu corpo não está deitado na cama com um sorriso rasgado e um convite maroto para me deitar ao teu lado.
Na verdade o teu corpo não está em divisão nenhuma da casa. Está a quilómetros de distância.
E no entanto, tenho o teu perfume a cobrir-me a pele.
Queria poder dizer milhares de vezes todas as palavras que pudessem expressar o que sinto. Nunca as digo.
Quando finalmente reúno coragem para as pronunciar são horas de partires e levares contigo pedaços de mim e da minha escrita.
Fico sempre à espera. À espera que a ponta dos meus dedos falem mais alto que eu. Que os meus braços te enlacem com a força suficiente para tu entenderes que só tu fazes sentido para mim. Que só tu és o meu sentido.
Porquê, meu amor, não te embalo eu na poesia das minhas próprias palavras?
Porque só sei escrever num grito mudo de amor? Secretamente rezo para que me leias, me entendas, me abraces. Me invadas.
Vivo com o medo de te perder preso na garganta, a transpirar-me pelos poros.
O abandono vive-nos nos olhos e não nos lábios. É por isso que te dou os lábios numa fome devoradora e afasto o olhar para sussurrar palavras de amor.
Sou cobarde, amor. Porque tenho medo da intensidade do laço que me une a ti.
E ainda assim, perco-me em ti sempre que te tenho perto. Sempre que penso que me devia manter mais longe, mais fora do alcance da dor, tu apertas-me contra o teu peito e o teu perfume faz-me esquecer a prudência.
O amor não é prudente, penso eu.
O amor é uma faca cravada no coração. Que dói mas nos alimenta.
Tenho as tuas palavras a sangrarem-me dos olhos: "não quero ir amor.. sem ti não consigo dormir".
Eu também não queria ir para lugar nenhum onde tu não estivesses. Mas estou aqui... longe. E no entanto, dolorosamente perto.

Resta-me apenas, no meio de tanta dor dizer Adeus...